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Sequenciamento identifica 19 linhagens do novo coronavírus circulando pelo Brasil

Processo de mutação é normal. O novo coronavírus tem aproximadamente duas novas variações a cada mês

Nesses mais de 10 meses em que circula pelo Brasil, o novo coronavírus tem sofrido diferentes mutações. Há oito meses, o Laboratório Adolfo Lutz, em São Paulo, tem cientistas trabalhando em sequenciamentos para identificar e controlar o percurso do vírus no País. Dos sequenciamentos realizados, 40% foram no laboratório, segundo noticiou o Jornal Nacional, nessa segunda-feira, 21. Pelo menos 19 linhagens do coronavírus circulam no País.

Um grupo de vírus que tem várias mutações em comum é chamado pelos cientistas de linhagem. Dessa nova linhagem identificada no Reino Unido, uma mutação chegou no Brasil ainda em abril. “Já foi encontrada em amostras no Brasil em abril. Então não é a linhagem inglesa com todas aquelas mutações. Aparentemente, não teve uma expansão dessa mutação aqui ainda”, disse a pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da USP, Ester Sabino, ao telejornal.

Na reportagem do JN, que mostrou dados levantados pelos cientistas do Adolfo Lutz, foi revelado que o País tem pelo menos 19 linhagens do coronavírus. A base dessa pesquisa é o primeiro coronavírus, detectado em Wuhan, na China, ainda em 2019, que sofreu a mutação quando chegou à Europa e se espalhou por países como Itália e Espanha. O vírus sofreu novas mutações quando chegou ao Brasil.

De acordo com os especialistas, os estados Rio de Janeiro e São Paulo concentram as linhagens predominantes. O Rio tem a maior concentração da linhagem B.1.1.33, que já correu países como Portugal, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Austrália. Também foi identificada a linhagem na Argentina, no Uruguai e no Chile.

Já a linhagem do novo coronavírus encontrada em todo o território de São Paulo foi batizada de B.1.1.28. Essa variação percorreu países como China, Portugal, Reino Unido, Índia e Austrália. Até o momento, essas linhagens não influenciam os protocolos de prevenção contra a Covid-19.

“São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que mais sequenciam. Então a gente tem um grande lote de sequenciamento tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro”, explica o diretor-técnico do Centro de Respostas Rápidas do Adolfo Lutz, Adriano Abud. “Além disso, são as áreas onde você tem maior trânsito de pessoas, tanto internacional quanto são áreas mais populosas”.

Processo de mutação é normal

Passar por variação não é uma especificidade do coronavírus, que já sofreu algumas. De acordo com os cientistas ouvidos pela reportagem, o novo coronavírus ganha até duas versões a cada mês. “Na verdade, é algo natural. Os vírus sofrem mutações. Essas mutações não se refletem necessariamente em mutações que podem gerar problema ou algo mais grave, alguma coisa do gênero. É simplesmente uma mutação natural dos vírus. E detectar isso é importante para gente ir inclusive observando como a doença se comporta”, afirma Abud.

Também ouvida pela reportagem, a doutora em microbiologia e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natália Pasternak, avisa que esses processos não precisam gerar preocupação: “Mutação é normal. E tem muitas linhagens do vírus circulando. O coronavírus não tem uma taxa de mutação tão alta quanto, por exemplo, um vírus da gripe ou HIV. Ele muda como todos os vírus”.

O que diz a OMS

Nesta terça-feira, 22, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que vai reunir os membros para discutir estratégias para conter uma nova variante, mais contagiosa, do coronavírus, que surgiu no Reino Unido. A informação foi divulgada pelo chefe europeu da OMS, Hans Kluge. Não há, no entanto, data para o encontro.

No Twitter, Kluge disse que o mais prudente no momento é “limitar as viagens para conter a disseminação” até que mais informações sobre a variação sejam apuradas. “As cadeias de fornecimento para bens essenciais e as viagens essenciais devem permanecer possíveis”, pontuou. Em comunicado oficial, a OMS reforçou que ainda não há informação suficiente para determinar se a nova variante afetará a eficácia das vacinas, afirmando que pesquisas estão em andamento.

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