
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 apontam um cenário preocupante para a saúde mental de adolescentes no Maranhão. O estado apresenta o segundo maior índice de cyberbullying do país, com 16,8% dos estudantes entre 13 e 17 anos relatando já ter sido vítima desse tipo de violência.
Segundo o tecnologista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Ribeiro, o número chama atenção para a frequência de casos envolvendo ameaças, ofensas e humilhações praticadas no ambiente virtual.
O levantamento também indica que cerca de quatro em cada dez estudantes já sofreram algum tipo de bullying. Além disso, aproximadamente 20% dos adolescentes afirmaram já ter sentido que a vida não vale a pena ser vivida — índice acima da média nacional e considerado um alerta para a saúde pública.
Em escolas de São Luís, o tema tem sido debatido em sala de aula. Educadores destacam a importância da conscientização e da orientação sobre os impactos dessas práticas.
A professora e psicóloga Lúcia Tereza ressalta que, embora os alunos já tenham contato com o tema, ainda é necessário aprofundar o entendimento sobre as consequências do bullying e do cyberbullying. Ela também destaca a relevância das normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital.
Outro ponto abordado pela pesquisa é o consumo de substâncias entre adolescentes. No Maranhão, mais de 43% dos estudantes afirmaram já ter experimentado bebidas alcoólicas, enquanto 5,5% relataram contato com drogas ilícitas.
Reinaldo Ribeiro alerta que o primeiro contato pode favorecer o uso recorrente e reforça a necessidade de acompanhamento por parte das famílias, especialmente em relação ao consumo de álcool, que não é recomendado para essa faixa etária.
Os dados também indicam diferenças de comportamento entre meninos e meninas. As meninas apresentam maior índice de consumo de álcool, enquanto os meninos registram maior contato com drogas ilícitas.
Para especialistas, a escola desempenha papel fundamental na orientação dos jovens, mas a participação da família é considerada essencial nesse processo.
O diretor escolar Deurivan Sampaio afirma que ações educativas são realizadas de forma contínua. Segundo ele, palestras e atividades pedagógicas têm contribuído para conscientizar os alunos sobre os riscos e impactos do bullying e do cyberbullying.





