Polícia

Operação Carbono Oculto 86 fecha 49 postos em três estados e mira lavagem de R$ 5 bilhões ligada ao PCC

Ação conjunta das polícias do Piauí, Maranhão e Tocantins investiga rede de postos usada como fachada para movimentar bilhões em dinheiro ilícito

Uma grande operação policial deflagrada na manhã desta quarta-feira (5) resultou na interdição de 49 postos de combustíveis nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins. Batizada de Operação Carbono Oculto 86, a ação é parte de uma investigação que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, com fortes indícios de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

No Maranhão, as equipes cumpriram mandados nas cidades de Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras. Segundo as investigações, os postos interditados faziam parte de uma rede de empresas de fachada usadas para ocultar e legitimar recursos obtidos com atividades criminosas.

A operação é coordenada pela Polícia Civil do Piauí, com apoio de órgãos de segurança e fiscalização dos três estados. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos bens de luxo, incluindo um avião modelo Cessna Aircraft e um Porsche avaliado em mais de R$ 550 mil, pertencentes ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio, apontado como um dos articuladores do esquema.

As autoridades estimam que o grupo criminoso tenha lavado cerca de R$ 5 bilhões, movimentando valores por meio de transações financeiras atípicas entre fundos de investimento, fintechs e empresas fantasmas. A investigação indica ainda conexões com operadores da Faria Lima, em São Paulo, responsáveis por administrar parte dos 40 fundos de investimento utilizados na lavagem de dinheiro.

De acordo com a Receita Federal, uma rede de 1.200 postos de combustíveis investigada movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas declarou apenas R$ 90 milhões em impostos, o equivalente a 0,17% do total movimentado.

Além do Maranhão, a operação teve alvos em Teresina, Picos e Parnaíba, no Piauí, e em São Miguel do Tocantins, no Tocantins. Os investigadores classificam a Operação Carbono Oculto 86 como a maior ofensiva já realizada contra o crime organizado no país, sendo uma continuação da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto deste ano.

Uma entrevista coletiva deve ser concedida ainda nesta quarta-feira pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) para detalhar os resultados e próximos passos da investigação.

Mostrar mais

Deixe um comentário

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo