A trajetória política de Weverton Rocha (PDT) é marcada por escândalos, acordos obscuros e uma obstinada busca pela manutenção do poder. Sua habilidade em se mover nos bastidores da política rendeu-lhe uma coleção de apelidos nada elogiosos como “Maragato”, “Meu Preto”, “Mão de Gato” e “Cara de Sapo”, apelidos que refletem a forma como ele é visto até mesmo por seus próprios aliados.
Recentemente, o senador tem tentado se apresentar como o defensor de uma suposta “união” entre os grupos Dinistas e Brandonistas, mas a verdade é que por trás dessa retórica ensaiada se esconde o puro desespero de quem luta não por um projeto de Estado, mas para salvar o próprio mandato. “Maragato” não está preocupado com o futuro do Maranhão nem com a estabilidade de nenhum grupo político. Ele está preocupado em não ser tragado pelas investigações que se aproximam como um rolo compressor.
O parlamentar tem consciência de que o cerco está se fechando e que sua permanência no Senado depende de uma reeleição articulada nos bastidores, com o menor custo possível, usando a estrutura pública e contando com o apoio escancarado do Palácio dos Leões. Não se trata de um movimento em nome do povo maranhense, e sim de um plano de sobrevivência pessoal e político. A união com Brandão, nesse contexto, nada mais é do que o casamento do mal com o mal.
Nos corredores de Brasília e nas entrelinhas das investigações, o nome de “Meu Preto” aparece em pelo menos quatro escândalos de grande repercussão. Um dos mais emblemáticos é o caso do Ginásio Costa Rodrigues, uma obra abandonada que virou símbolo de desvio de recursos públicos e de má gestão. Quando secretário de Esporte e Juventude, “Maragato” foi acusado de autorizar ilegalmente contratos sem licitação, desviando verbas públicas e deixando um rastro de corrupção ainda sem a devida punição. As investigações apontam que, um dia antes do governador ser cassado, “Mão de Gato” sacou os recursos, inclusive com comprovação de cópias de extratos da movimentação do erário público. A promessa de um equipamento público de qualidade para a juventude virou um esqueleto de concreto e um monumento à impunidade, que até hoje é lembrado.
Outro caso que coloca Weverton sob os holofotes da vergonha nacional é o escândalo do INSS. O senador está diretamente ligado ao esquema que envolveu fraudes milionárias em benefícios previdenciários, com ligação direta ao chamado “Careca do INSS”, apontado como operador de um dos maiores esquemas de corrupção da história recente do país.
E os elos entre “Meu Preto” e os operadores da fraude não param em simples encontros de gabinete. Um dos homens de confiança do senador, o empresário Gustavo Marques Gaspar, assinou uma procuração que confere amplos poderes ao consultor Rubens Oliveira Costa, apontado pela Polícia Federal como o “carregador de mala” do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O documento, registrado no Cartório JK, em Brasília, autoriza Rubens Oliveira a movimentar e sacar valores das contas da empresa de Gaspar, a GM Gestão Ltda., além de representá-la em instituições bancárias, órgãos públicos e até assinar contratos.

A ligação é direta: Gustavo Gaspar, tido como braço direito de Weverton, foi assessor parlamentar do senador por quatro anos, entre 2019 e 2023, lotado no gabinete da liderança do PDT no Senado com um salário de R$ 17,2 mil, embora tenha sido exonerado apenas após revelações de que seria um funcionário fantasma.
Rubens Oliveira é descrito no inquérito da PF como “facilitador” e “intermediador” do Careca do INSS, responsável por transportar dinheiro do esquema bilionário de descontos indevidos contra aposentados. A primeira fase da Operação Sem Desconto foi deflagrada pouco mais de um mês após a emissão da procuração, e as investigações já subiram para o STF, dada a atuação de políticos com foro privilegiado.
Além disso, o próprio senador Weverton admitiu ter recebido o Careca do INSS em seu gabinete, alegando, de forma pouco convincente, que a conversa foi sobre o mercado de cannabis. Antonio Antunes, o lobista, é dono de uma empresa do setor chamada World Cann.
A ligação entre “Maragato” e o escândalo se agrava ainda mais com a revelação de que ele foi o responsável pela indicação de André Fidelis ao cargo de diretor de Benefícios do INSS, posição central no esquema de descontos ilegais. A informação foi confirmada pelo ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, durante depoimento à CPMI do INSS. Fidelis assinou convênios com entidades que efetuaram descontos de ao menos R$ 142 milhões somente em 2024, e é suspeito de receber propinas de R$ 1,4 milhão do lobista Antonio Antunes.
O desespero de “Meu Preto” diante do avanço da CPMI, presidida por seu adversário político Duarte Júnior, é visível. O medo de ser alcançado pelas investigações está por trás de sua tentativa de recomposição com antigos desafetos. “Mão de Gato” sabe que, se as investigações forem levadas às últimas consequências, ele poderá ser o próximo a cair.
Além disso, Weverton Rocha figura entre os parlamentares mais ativos no uso das chamadas emendas Pix, um instrumento que, embora legal, tem sido amplamente utilizado para repassar recursos públicos de forma obscura, sem fiscalização adequada e com forte suspeita de uso político-eleitoral. No Maranhão, os recursos enviados por meio dessa modalidade chegam à casa dos milhões e foram distribuídos em sua maioria a prefeituras aliadas, muitas das quais sequer prestaram contas corretamente. É dinheiro público, oriundo do povo, sendo manuseado como moeda de troca em gabinetes fechados.
E não se pode falar da história nebulosa de “Meu Preto” sem lembrar do escândalo da UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas). Weverton foi o pivô central de um esquema que desviou recursos da entidade estudantil, à época uma das mais respeitadas do estado. Segundo investigações, os desvios praticados sob sua gestão quebraram a entidade, que nunca mais conseguiu se reerguer. A UMES, que deveria ter sido uma escola de cidadania e mobilização para os jovens, virou um instrumento de barganha e uso pessoal, deixando para trás um rastro de oportunismo, dívidas e descrédito. Mais uma vez, o interesse coletivo foi atropelado por ambições individuais.
Weverton Rocha envergonha o Maranhão. Sua trajetória política está coberta por um manto de lama e oportunismo. Onde esteve, deixou rastros de caos, esquemas e acordos suspeitos. Sua atual tentativa de parecer articulador político é, na verdade, o ato final de um político acuado, traidor de antigas alianças, defensor do próprio umbigo e alheio ao sofrimento do povo maranhense. Não está preocupado com a saúde pública, com a segurança que desmorona, com a infraestrutura abandonada ou com a educação largada às traças. Está, sim, preocupado em manter foro, influência e a cadeira que lhe garante poder e imunidade.
Weverton não representa renovação, não representa povo, não representa justiça. Representa a face mais obscura de uma política suja, marcada por troca de favores, alianças perigosas e uma relação íntima com o poder pelo poder. E ao se aliar à oligarquia Brandão, ele apenas confirma o que muitos já sabiam: quando o interesse pessoal fala mais alto que o coletivo, o resultado é sempre a degradação da política e o abandono do povo.
Os dinistas são defensores do legado do ex-governador Flávio Dino, atualmente ministro, que deixou um marco histórico de grandes realizações à frente do governo do Maranhão. Agora, como magistrado, Flávio Dino tem sido motivo de orgulho nacional por sua atuação firme, ética e contundente. Embora alguns tentem usar o termo “dinistas” de forma pejorativa, os deputados e aliados que integram esse grupo mantêm-se leais não apenas ao legado do ex-governador, mas, acima de tudo, ao povo do Maranhão. Muito diferente dos brandonistas, que insistem em apoiar um governo desastroso e sem rumo, liderado por um governador que a cada dia enfraquece ainda mais o estado. É uma gestão que se mostra cada vez mais incapaz, marcada por retrocessos, omissão e abandono.





