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Polícia

SHPP conclui inquérito de triplo homicídio com indiciamento de PM e vigilante

Nelson Melo

A Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) concluiu o inquérito
sobre o triplo homicídio que aconteceu na comunidade Coquilho, na zona rural de São
Luís, perto da Santa Bárbara. O policial militar Hamilton Caires Linhares e o vigilante
Evilásio Júnior, foram indiciados como autores do crime. Os corpos das vítimas, que
eram jovens, foram encontrados no dia 4 de janeiro deste ano, com perfurações de tiros
na cabeça.

Em entrevista coletiva concedida na Superintendência de Homicídios e Proteção à
Pessoa (SHPP), na manhã de quinta-feira (14), o delegado Dilson Pires, titular do
Departamento de Homicídios da Área Leste, contou que as provas, depoimentos de
testemunhas e os exames forenses levaram ao indiciamento dos dois suspeitos, que
nunca admitiram que mataram os jovens, identificados como Gustavo Feitosa Monroe,
de 18 anos; Joanderson da Silva Muniz, 17, e Gildean Castro Silva, 14.

Dilson frisou que o policial militar, lotado na Companhia de Operações Especiais
(COE), foi o responsável por atirar nas vítimas, em uma comprovada execução, sendo
que dois rapazes foram mortos de joelhos e o outro foi assassinado em pé, como a
análise dos peritos criminais detectou. Os disparos foram desferidos de uma pistola de
uso restrito, calibre ponto 40. Essa arma de fogo, porém, nunca foi encontrada, pois
Hamilton Caires alegou que perdeu o armamento.

Contudo, a Perícia Criminal confirmou que os garotos foram executados com arma de
fogo daquele calibre, como o delegado George Marques, titular do Departamento de

Homicídios da Capital (DHC), declarou na coletiva. Ele disse na entrevista que o
vigilante deu apoio ao militar na perseguição e assassinato das vítimas, que foram
cercadas em uma área de mata do Coquilho. Mas não foi possível descobrir se os
jovens foram mortos naquele trecho onde os corpos estavam ou se foram arrastados até
lá.

Marques salientou que, durante a investigação, mais de 20 pessoas foram ouvidas,
incluindo 10 vigilantes da empresa responsável pela segurança do Residencial Mato
Grosso, obra do programa “Minha Casa, Minha Vida” que estava sendo construída nas
proximidades de onde os rapazes foram executados. Também foram interrogados
familiares dos jovens, como o delegado George destacou.

Quatro dias após o crime, o PM foi capturado em cumprimento a mandado de prisão
temporária, que foi convertida, recentemente, em prisão preventiva. Já o vigilante
Evilásio foi preso no dia 8 de fevereiro, em cumprimento a mandado de prisão
temporária de 30 dias, conforme o delegado Dilson Pires. De acordo com a fonte,
Hamilton não integrava oficialmente a equipe de segurança do Residencial Mato
Grosso, mas foi “contratado” pelos próprios vigilantes para coibir furtos que estavam
acontecendo na obra do “Minha Casa, Minha Vida”.

Hamilton Caires, em outras palavras, fazia serviço extra, tendo sido convocado porque
podia andar armado no local devido ao seu cargo de policial militar. A morte dos
jovens causou muita revolta da população da zona rural, que chegou a realizar
protestos e incendiar ônibus utilizados para transportar os trabalhadores da empresa
que estava atuando na construção do residencial.

Os jovens foram mortos após serem perseguidos pelo vigilante e policial militar

A dinâmica do triplo homicídio

Os delegados Dilson e George contaram que os garotos, segundo depoimento dos
familiares, foram ao local para pegar pincéis, restos de tintas e outras sobras de
materiais de construção não mais utilizados para pintar a casa de um deles. Porém,
quando estavam nas proximidades do residencial, saíram correndo com um tiro de
advertência efetuado pelo policial militar Hamilton, que estava percorrendo a área para
impedir furtos.

Mas o militar e Evilásio decidiram perseguir os três jovens, que foram alcançados em
mata fechada. George Marques descreveu que duas motocicletas foram utilizadas para
essa busca incessante aos garotos. Nessa correria, os óculos da esposa do vigilante
caíram no solo, tendo sido recolhidos pela equipe de investigação da SHPP e pelos
peritos criminais. Evilásio admitiu que o objeto pertencia à sua mulher, que também
confirmou.

Os delegados narraram que, quando alcançou os jovens, o PM os matou a sangue frio,
com o apoio do vigilante Evilásio. Esse fato aconteceu no dia 3 de janeiro, mas os
corpos só foram encontrados no dia seguinte. Pires e Marques pontuaram que não
restam dúvidas sobre a participação dos dois indiciados e que o inquérito foi
encaminhado ao Ministério Público, que pode solicitar ou não diligências
complementares sobre o homicídio triplamente qualificado.

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