Álcool gel a preço de custo vai demorar para chegar ao consumidor
Farmácias e supermercados firmaram acordo para comercializar produto com valor que paga à indústria, mas reposição continua lenta

Governo, farmácias e supermercados firmaram acordo para a comercialização do álcool gel a preço de custo. Procurada, a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), que representa a indústria, não divulgou qual seria o preço de custo para o setor das diversas embalagens do produto.
Desde o início da pandemia do coronavírus, a Fundação Procon de São Paulo começou a fiscalizar os estabelecimentos do estado para identificar os valores abusivos praticados pelo comércio. Nessas visitas, chegou a encontrar embalagens de 500g vendidas a R$ 90.
Fernando Capez, diretor executivo do Procon-SP, afirma que a entidade classifica os preços de quatro formas nessas fiscalizações, considerando uma embalagem de 500 g (único exemplo de preço divulgado pela fundação).
– R$ 12 (preço médio)
– Entre R$ 15 e R$ 20 (razoável)
– R$ 30 (elevado);
– a partir de R$ 50 (abusivo).
“Quando chegamos ao local, pedimos as notas fiscais dos últimos três meses para analisarmos se houve aumento de preço do produto, nesse período. Se não houve, eles são multados imediatamente”, conta Capez.
A multa varia, conforme o faturamento, entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. No caso de uma rede de lojas pode chegar a R$ 2 milhões, diz o diretor do Procon-SP.
Apesar de o acordo não valer para as máscaras, Capez também destacou a classificação do preço dos produtos:
– Preço médio para um pacote com 100 máscaras varia entre R$ 40 e R$ 50.
“Se o preço chegar a R$ 100, o estabelecimento terá de provar o diferencial desta máscara em relação às demais. Caso contrário, o preço será considerado abusivo.”
Apesar de o acordo firmado entre governo do Estado de São Paulo, Apas (Associação Paulista dos Supermercados) e Abrafarma (Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias) para a venda do álcool gel a preço de custo, o produto ainda continua em falta em muitos estabelecimentos.
De acordo com a Apas (Associação Paulista dos Supermercados), a indústria ainda não conseguiu reforçar a produção e, apenas, os supermercados, que fizeram seus pedidos há mais tempo, estão recebendo. Nos locais que o produto chega, a saída é imediata.
A Abras (Associação Brasileira dos Supermercados) confirma a informação de que os produtos estão chegando em alguns supermercados, mas acabam no mesmo dia da reposição
Após o alvoroço da população para estocar comida para a quarentena, a Apas vem registrando queda na movimentação dos supermercados e destaca que o cenário está caminhando para a normalidade.
“Ressaltamos que cada produto será vendido a preço de custo, mas que este poderá variar em razão da empresa, do fabricante e da apresentação (60g, 200g, 400g e outras)”, destaca a nota.
Procurada, a Abihpec enviou a seguinte nota:
Em 20 de março, o setor brasileiro de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos conquistou um grande avanço.
A Anvisa publicou a resolução (RDC Nº 350, de 19 de março de 2020) permitindo a fabricação e a comercialização do álcool em gel, sem autorização prévia.
A Resolução se aplica às empresas fabricantes de medicamentos, saneantes e cosméticos regularizadas.
Esse foi um pedido feito pela ABIHPEC, para trazer mais agilidade ao processo e facilitar o acesso da população a esses produtos, nesse momento.
“Isso não muda as exigências e os procedimentos, mas dá uma agilidade significativa aos processos. As empresas ganharam, no mínimo, 180 dias de antecipação para lançar o álcool em gel no mercado”, explica João Carlos Basilio, presidente-executivo da ABIHPEC.
A Fundação Procon-SP registrou mais de 6 mil atendimentos relacionados ao coronavírus, até o fim da terça-feira (24).
Em comparação a 13 de março, que somava 1.150 atendimentos, houve um crescimento de 450% nas demandas dos consumidores.
Dos 6.356 registros – que se referem a queixas ou pedidos de orientação de cancelamentos de viagens, eventos e outros contratos, além de denúncia de abusividade de preços e ausência de produtos –, 3.402 são reclamações e 2.954 consultas.
Das 3.402 reclamações, os problemas com agências de viagem são os mais recorrentes, com 1.774 registros (52% do total), seguidos pelas companhias aéreas com 1.100 registros (32% do total).
Farmácias/lojas/mercados representam 10% das demandas (349 queixas), programas de fidelidade, 2% (68 queixas), ingressos e eventos, 1,76% (60 queixas) e cruzeiros, 1,50% (51 casos).





