
Uma investigação da Polícia Federal identificou mensagens que tratam da entrega de dinheiro em espécie a um assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), conhecido como Weverton “Maragato” ou “Meu Preto”, no contexto de um esquema de recursos vinculados a benefícios previdenciários.
As mensagens foram encontradas no aparelho celular do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que figura nas investigações como suspeito de liderar o esquema.
O conteúdo integra a representação encaminhada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou a prisão preventiva do assessor Gustavo Gaspar. A prisão ocorreu em dezembro de 2025, durante a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal.
Conforme a PF, as conversas indicam valores em dinheiro vivo que teriam sido repassados por integrantes do grupo investigado ao assessor. Em mensagens trocadas entre o “Careca do INSS” e seu funcionário Rubens Costa, são utilizados os termos “encomenda” e “impressões”, que, segundo a investigação, se referem a pagamentos em espécie. Em um dos diálogos, datado de junho de 2023, Rubens informa que Gustavo Gaspar havia recebido a “encomenda”.
Em outro momento, registrado em setembro de 2023, o empresário orienta o funcionário sobre uma nova entrega, mencionando a retirada de “impressões” após um procedimento em cartório. Um dia após essa conversa, a Polícia Federal identificou um saque de R$ 40 mil em dinheiro vivo da conta de uma das empresas vinculadas ao empresário, o que, para os investigadores, reforça que as mensagens tratavam de repasses financeiros.
A investigação também aponta que Gustavo Gaspar teria solicitado a um grupo de empresários a abertura e administração de uma empresa em seu nome, com a finalidade de utilização no esquema em apuração. A Polícia Federal avalia que o conjunto de mensagens revela movimentações paralelas, com uso de linguagem cifrada e possível ocultação da origem dos recursos.
Na representação encaminhada ao STF, a PF afirma que Weverton “Maragato” é apontado como o político que dá principal sustentação ao grupo investigado, razão pela qual os valores seriam repassados por meio de seus assessores.
Durante a operação, investigadores chegaram a se referir ao senador como “parceiro” e mencionaram benefícios concedidos a assessores no contexto das apurações.
Apesar dos indícios levantados, o senador Weverton Rocha nega qualquer envolvimento e afirma que as acusações não se baseiam em provas consolidadas. O assessor Gustavo Gaspar, por meio de sua defesa, também negou as acusações e informou que apresentará esclarecimentos formais.
Segundo fontes ouvidas pelo JIB, as investigações ainda estão em curso e novas informações, com indícios e provas adicionais, podem surgir, o que pode ampliar o alcance das apurações envolvendo o senador. (Com informações de Estadão)





