Passa de aberração, e, sim, de uma loucura displicente o que o governo do oligarca Carlos Brandão, por meio de seu primo-fantoche e atual secretário Maurício Martins, está fazendo com o Sistema de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA). Se não bastasse o colapso em que se encontram as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros, que já operam no limite, a dupla de primos resolveu avacalhar e jogar no fundo do poço o pouco que ainda resta da Segurança Pública.
A SSP-MA, por meio da Polícia Civil, está utilizando todo o sistema, como viaturas, policiais (investigadores) e todo o material de inteligência, para treinar homens de uma entidade denominada Conselho Estadual de Investigação Profissional (CEIP Maranhão). O objetivo é oferecer treinamento completo e ensinar táticas de investigação, inclusive técnicas que deveriam ser exclusivas da Polícia Civil.

O caso é grave e causa extrema preocupação, pois vai muito além de uma simples “infração” ou ato falho do secretário e do governador oligarca Carlos Brandão. Trata-se de uma entidade privada se aproveitando de toda a estrutura do Estado para formar falsos investigadores. O detalhe mais alarmante é que, em vídeos e fotos divulgados, alunos da CEIP Maranhão aparecem utilizando viaturas da Polícia Civil, veículos que já são escassos e que deveriam estar à disposição da população, mas estão sendo usados por uma empresa privada. Esses alunos também usam fardas e coletes balísticos bem similares com as usadas pelos Agentes da Polícia Civil do Maranhão, para dar a impressão de legalidade.

Toda essa usurpação ocorre com a anuência e o conhecimento tanto do governador coronelista Carlos Brandão quanto do próprio secretário Maurício Martins, que, além de parente do governador, é delegado da Polícia Civil e tem plena ciência de que há crimes sendo cometidos. Para agravar ainda mais a situação, nas redes sociais da CEIP Maranhão há publicações com registros de encontros entre o secretário Maurício Martins e indivíduos que se apresentam como representantes da entidade. Entre eles, um que já foi preso em flagrante pelo crime de estelionato, ao tentar sacar uma grande quantia de dinheiro por meio de um empréstimo fraudulento contra uma idosa. Além disso, o indivíduo portava documentos públicos falsos, incluindo carteiras funcionais do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal.
O encontro, tratado como algo de caráter institucional, foi apresentado como alinhamento para “ações conjuntas”, expressão absolutamente incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro quando se trata de segurança pública.
No Maranhão do século XXI, a segurança pública começa a flertar perigosamente com práticas que remetem aos períodos mais atrasados da história administrativa do Estado. Volta a circular, com roupagem moderna, aquilo que no passado era conhecido como “bate-pau”: pessoas sem investidura legal, sem concurso público e sem qualificação institucional, ocupando espaços que deveriam ser exclusivos das forças policiais.

Trata-se de um episódio amplamente documentado e que, por si só, deveria acender todos os alertas institucionais. Ainda assim, isso não impediu que a entidade continuasse sendo prestigiada no âmbito da Secretaria de Segurança, o que expõe o quanto a Secretaria de Segurança Pública está sendo mal administrada por Maurício Martins, com total anuência do governador oligarca Brandão.


Diante desse cenário perigoso e desastroso, a Associação dos Delegados de Polícia do Maranhão (ADEPOL-MA) manifestou oficialmente sua incredulidade diante da situação. A entidade sempre alertou para a precariedade estrutural da Polícia Civil maranhense, uma das piores do Brasil em efetivo, investimentos e valorização profissional, mas não imaginava que o Estado chegaria ao ponto de, na prática, tolerar ou estimular a substituição velada da polícia judiciária por agentes privados travestidos de autoridade.
O risco é institucional e social. A banalização do uso de símbolos oficiais, a confusão deliberada entre atividade privada e função pública e a tolerância com grupos paralelos corroem a credibilidade do sistema de justiça criminal e expõem a população a abusos, ilegalidades e violência. Segurança pública não se improvisa, não se terceiriza e não se resolve com atalhos.
Enquanto estados como Santa Catarina e Goiás investem de forma consistente em estrutura, inteligência, carreira policial e governança institucional, colhendo reflexos diretos na redução dos indicadores criminais, o Maranhão segue em destaque negativo. As taxas de homicídios e feminicídios permanecem elevadas, demonstrando que o problema não é falta de marketing, mas ausência de política pública séria, baseada em legalidade, profissionalismo e valorização das forças de segurança.
A tentativa de ressuscitar o “bate-pau” em pleno século XXI não é apenas um erro administrativo. É um grave retrocesso institucional, incompatível com o Estado Democrático de Direito e com a responsabilidade que a segurança pública exige. O Maranhão precisa de uma polícia forte, estruturada e respeitada, não de simulacros de autoridade ocupando o lugar do Estado.






