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1 ano da Covid-19 no Maranhão: Os erros e acertos, segundo especialistas

No dia 20 de março de 2020, o primeiro registro da doença deu início a uma crise de saúde que deixa sequelas até hoje.

Neste dia 20 de março se completa 1 ano da pandemia da Covid-19 no Maranhão. Naquele dia, em 2020, a Secretaria de Saúde identificou a doença em um idoso, que retornou de viagem à São Paulo, e teria sido isolado.

Mesmo assim, os dias posteriores foram de mais casos registrados, indicando que o vírus já circulava bem antes do primeiro registro oficial.

Desde então, a rotina mudou, o desemprego aumentou, e os hospitais foram ficando lotados de pessoas. Algumas delas, mesmo já recuperadas, carregam sequelas até hoje.

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Ainda em março, o presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória para concentrar no governo federal o poder de adotar medidas de restrição durante a pandemia, mas o STF decidiu que os estados teriam mais autonomia para tomar medidas de isolamento no combate ao coronavírus, pois a Covid-19 atingia o Brasil de forma peculiar em cada estado.

No Maranhão, já em abril, a elevação dos casos levou a Justiça a obrigar o Governo do Maranhão a decretar, pela primeira vez, um ‘lockdown’, em toda a ilha de São Luís. A medida, segundo especialistas, foi correta, mas sozinha não iria trazer tranquilidade durante toda a pandemia.

“Na primeira onda, as restrições foram maiores, havia mais medo na população, houve a decretação do lockdown (que diminuiu a transmissão em 38% na época) e o controle da transmissão foi atingido após estas medidas. Entretanto, o vírus ainda era a variante original menos transmissível”, afirmou o pesquisador do Departamento de Saúde Pública da UFMA, Antonio Augusto.

O G1 Maranhão ouviu especialistas sobre as medidas tomadas em 1 ano da pandemia no estado. Segundo os pesquisadores, casos e mortes poderiam ser evitados simplesmente pelo aumento da testagem, que teria como consequência a antecipação de medidas de prevenção.

“No momento que estamos numa pandemia, é importante termos epidemiologistas, estatísticos e infectologistas para avaliar conjuntamente a dinâmica da pandemia, para fazer previsões de casos e óbitos, além de hospitalizações”, conta Alcione Miranda, professora e Estatístico do Departamento de Saúde Pública da UFMA.

 

Quanto aos testes realizados durante o ano da pandemia, o número é considerado pequeno. Até esta sexta-feira (19), 568.266 testes para Covid-19 foram realizados, incluindo a rede privada. A qualidade dos testes também é contestada.

“A testagem ainda não é suficiente para estimar o número de casos no estado. Muitas vezes são os testes rápidos, que dão muito o falso negativo. Precisamos olhar a qualidade dos testes realizados. Hoje, a maioria são testes rápidos”, explica Alcione.

A médica infectologista Maria dos Remédios completa apontando o atraso na notificação de casos e de óbitos, fazendo com que não se conheça a realidade do estado, o que dificulta a realização de politicas públicas durante a pandemia.

“Segundo a FIOCRUZ, o Maranhão é o terceiro estado mais lento em notificação de mortes por COVID-19. São 34 dias de atraso”, diz a pesquisadora.

 

Faltam medidas, falta responsabilidade da população

 

No Maranhão, antes da pandemia, a rede de saúde, considerada frágil, foi um problema a mais a ser enfrentado. Até então, segundo os especialistas, haviam poucos leitos de internação hospitalar e de UTI, além da centralização dos leitos em Imperatriz e São Luís.

O governo do Maranhão, em 1 ano, conseguiu ampliar a rede hospitalar na primeira onda, o que teve uma avaliação positiva. O problema foi não manter as medidas no decorrer da pandemia.

“Agora está havendo retardo para se tomar tomar medidas mais restritivas, já estamos enfrentando o colapso do sistema privado, com fila de espera para UTI. Há maior oposição do empresariado e do governo federal. Como a transmissão está acelerada e exponencial, provavelmente não serão suficientes [as medidas] para reduzir o número de mortes, que devem continuar aumentando”, conta o pesquisador Antonio Augusto, se referindo a segunda onda da Covid-19.

Dentre as situações com maior risco de transmissão durante o 1 ano de pandemia, a infectologista Maria dos Remédios destaca as aglomerações nos transportes públicos, nas convenções partidárias e na campanha eleitoral de 2020; alem das festas, eventos, encontros e similares, inclusive de famílias.

Já com a chegada da segunda onda, a falta de medidas de restrição, de testes, de vacina; além da forma como a sociedade encarou a pandemia foram, segundo Maria, determinantes para a crise se agravar ainda mais.

“Já está bastante demonstrado nessa pandemia, assim como em outras, que as medidas de controle são a vacinação massiva da população e as chamadas medidas não farmacológicas (uso de máscaras, distanciamento social, higiene das mãos, evitar aglomerações e locais fechados). Para a vigilância e controle da doença, é necessária a testagem massiva dos casos e dos contatos. Para que o vírus não circule é necessário conter a circulação das pessoas. Ao longo desses 12 meses de pandemia, a adoção dessas medidas no país vem sendo muito insatisfatória”, conta.

Neste momento, além da atitude mais consciente da população em meio a pandemia, é preciso diminuir a subnotificação de casos, segundo os pesquisadores. O Departamento de Saúde Pública da UFMA já prevê o colapso na rede de saúde do Maranhão.

“Se analisarmos, o numero de óbitos em São Luís pode ter um atraso. Seria importante ter evoluído no sistema de notificações da casos e óbitos. O que se sabe também é a subnotificação de casos. A notificação é feita por profissionais que estão na assistência. Numa UBS, por exemplo, pode ter uma demanda de novos casos. E aquele profissional, além de atender, deve fazer a notificação do caso, o que acaba sendo feito só no outro dia.

Para o Maranhão, a recomendação atual também leva em conta medidas restritivas máximas de circulação de pessoas, além da vacinação em massa da população em tempo recorde.

“É bom lembrarmos que já existe vacina contra Covid-19 disponível no mundo desde o início de dezembro de 2020. O governo federal poderia ter se antecipado para comprar vacinas desde o primeiro semestre do ano passado, como vários países fizeram. Consequentemente, poderíamos ter iniciado a vacinação no país há três meses e ter hoje toda a nossa população adulta vacinada. Nosso Programa Nacional de Imunização é um dos melhores do mundo e tem capilaridade para fazer vacinação em massa em tempo recorde”, finaliza a infectologista Maria dos Remédios.

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Fonte: G1

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