
Mesmo diante de discursos oficiais que tentam minimizar a violência, os números de feminicídio no Maranhão continuam alarmantes e escancaram as fragilidades da política de segurança pública conduzida pelo governo Carlos Brandão e pela gestão do secretário Maurício Martins à frente da Secretaria de Segurança Pública.

Somente em 2025, o estado já contabiliza 50 mulheres assassinadas em crimes caracterizados como feminicídio, segundo levantamento divulgado pela diretora da Casa da Mulher Brasileira, Susan Lucena. Embora o número represente uma redução em relação a 2024, quando foram registrados 69 casos, o volume de mortes permanece inaceitável e revela a incapacidade do Estado de proteger a vida das mulheres.
O feminicídio é o crime praticado contra a mulher em razão do gênero, geralmente ligado à violência doméstica, familiar ou à discriminação. Mesmo com o endurecimento da legislação — que, desde outubro de 2024, prevê penas de 12 a 30 anos de prisão, podendo ser ampliadas em situações agravantes — a violência segue avançando, evidenciando que o problema vai além da lei e passa pela ineficiência das políticas públicas de prevenção e proteção.
Casos recentes reforçam a gravidade do cenário. Em 28 de dezembro, em São Luís, Adriana Matos da Silva Souza, de 30 anos, foi morta a tiros enquanto assistia a uma partida de futebol. O principal suspeito é o ex-sogro da vítima, e a Polícia Civil aponta o crime como retaliação após o fim de um relacionamento. Em Imperatriz, no dia 26 de outubro, Rafaela de Souza Nunes, de 24 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro, preso em flagrante após o crime.
Os episódios revelam um padrão recorrente: mulheres que já estavam em contextos de violência e que não tiveram proteção eficaz do Estado. Especialistas e movimentos sociais cobram ações concretas, como fortalecimento das delegacias especializadas, ampliação das casas de acolhimento, políticas de prevenção e respostas mais rápidas do sistema de segurança.
Diante desse cenário, os números de feminicídio deixam claro que a gestão da segurança pública no Maranhão não tem conseguido conter a escalada da violência contra a mulher, transformando estatísticas em tragédias familiares e sociais. A cada novo caso, cresce a cobrança por responsabilidade, eficiência e compromisso real do governo estadual com a vida das mulheres maranhenses.





