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Aquecimento global exige novas tecnologias

Por José Reinaldo Tavares

O Oceano Atlântico está 3º C acima da temperatura pós inverno, pois essa temperatura quase sempre só acontece após o verão no hemisfério norte. Ou seja, só é esperada em torno de Setembro, época dos grandes furacões intensificados por esse aumento de temperatura. Por isso mesmo furacões classe 5 que fazem ventos de até 300 km varrerem o espaço em todas as direções nunca aconteciam em julho, como esse de agora. Chegou ao Caribe com classe 2 e dois dias depois passou para a classe 5, e acabou com tudo em seu caminho.

Alguns países já racionam água e estão experimentando subidas enormes da temperatura. Enchentes e secas se misturam e o jornal O Globo de 5 de julho, traz a notícia que assusta a todos “Nível dos rios é alerta para riscos de seca mais grave na Amazônia”. Bacias importantes como a do Solimões e do Amazonas não recuperaram os níveis de forma suficiente no período chuvoso. Ilhas que só costumam aparecer em agosto ou adiante já estão visíveis como a “Ilha do Amor” no rio Tapajós. Rios do Sul como Juruá, Purus, Madeira e Tapajós, estão com
muita escassez, e a previsão é de pouca chuva nos próximos messes. Rios ao Norte como Rio Branco, Japurá, Negro e Trombetas estão com bons níveis.

No ano passado a seca afetou mais de 500 mil pessoas no Amazonas, no Acre, em Rondônia e no Pará, e levou ao menos 55 municípios ao estado de emergência. O volume dos rios da Bacia Amazônica, a maior do mundo, alcançou os menores níveis em mais de 120 anos de medição. O quadro é de incerteza para os técnicos.

Isso pode afetar os rios voadores que são massas de ar carregadas de água em forma de vapor, formadas no Oceano Atlântico, que são transportadas pelo vento. Essa umidade se transforma em chuva, que cai sobre a Amazônia e segue para todo o Brasil e para países como Bolívia e Paraguai. Os estudos a respeito dos rios voadores mostrara que há uma clara colaboração da umidade que evapora da bacia amazônica para
as chuvas do Sul e Sudeste. Os rios voadores ganham corpo na Amazônia e influenciam o clima de vários estados brasileiros. A quantidade de córregos e rios que estão secos é muito grande em todo o país. A água é insubstituível, está presente em tudo, e alarmados com tudo o que está acontecendo, nos levou a discussão de um projeto de segurança hídrica no estado, um estado que tem 55% da água de todo o Nordeste e tudo isso nos levou a estudar, com apoio da SEMA, da UEMA, já a algum tempo atrás e agora juntamos a UNB, com quem já tivemos a primeira videoconferência, para planejar um sistema de águas no estado, buscando controlar as vazões de nossos rios, despoluí-los, e criar uma autoridade sobre o uso das águas, que possa estabelecer um controle total sobre os rios, para que possamos enfrentar com a máxima segurança possível as previsíveis de grandes estiagens, e o regime de chuvas deixar de ser regular para se tornar irregular. Para nós isso é estratégico para o nosso futuro e nosso desenvolvimento econômico.

Assim, programas como o Floresta em Pé, concebido pela Sema, um trabalho exaustivo do secretário Pedro Chagas e equipe, lançado pelo governador Carlos Brandão em São Bento, que sempre o incentivou, é um projeto importante e na direção certa, assim como o Re-Green que a iniciativa privada está fazendo em Maracaçumé, recuperando áreas degradadas com  muito sucesso. São dois projetos muito importantes que devem ser multiplicados.

Bem as evidencias dos desastres climáticos são muitas, não há dúvidas sobre elas. Aí, a importância da tecnologia avançada, para conter o aquecimento global. Mas, que tecnologias são essas? Algumas com estudos avançados em laboratórios, mas ainda longe de serem comerciais como disse a Diretora da COPPE, Suzana Kahn, uma das maiores instituições de engenharia avançada do Brasil, que estimou que 43% das novas tecnologias com essa finalidade ainda não são comerciais o que abre um leque de oportunidades. A mais importante seria a tecnologia que permitisse retirar da atmosfera a espessa camada que não permite que gases como dióxido de carbono, metano e outros atravessem totalmente essa camadas que assim tem efeito estufa, o que permitiria imediatamente baixar a temperatura global.

Outras são diversas e muitas no sentido de baixar os custos do hidrogênio e de outras formas limpas de energia, e de ajustar o fornecimento da energia renovável ao consumo das cidades.

Na Califórnia onde está muito avançado o uso de energias renováveis, como a solar, eles verificaram que ao meio dia quando é mais forte a energia solar o consumo cai, e nos períodos de pico de maior consumo de energia a energia solar é mais fraca pois o pique maior é as 6PM (18h) e é quando o sol se põe.

Esse artigo tenta mostrar, mesmo palidamente, que tecnologia avançada é fundamental para nosso futuro. Como nós (Brasil) podemos ser grandes fornecedores mundiais de energia limpa, e de alimentos, precisamos trocar esse tesouro por tecnologia avançada e investimentos o que nos colocará no pelotão de cima entre as nações. Todos precisarão do Brasil e o Maranhão fará bonito com o Porto de Alcântara, Porto do Itaqui, e a nova ferrovia, livre e desimpedida, ligando os dois portos a Ferrovia Norte Sul.

A Margem Equatorial pode ser fundamental para o Maranhão mudar de categoria econômica e fazer a inclusão social. Nosso inimigo imediato é a pobreza. Depois tudo fica mais fácil.

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