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TRF anula provas contra ex-delegado Tiago Bardal em caso de contrabando de cigarros

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu, na última quinta-feira (11), anular as provas utilizadas para acusar o ex-delegado da Polícia Civil do Maranhão, Tiago Bardal, nos crimes de associação criminosa e contrabando de cigarros. A decisão foi tomada durante julgamento de um Habeas Corpus impetrado por sua defesa.

O caso gira em torno de uma operação supostamente voltada ao combate ao contrabando de cigarros na zona rural de São Luís, na região do Quebra-Pote. No entanto, segundo a defesa, a investigação conduzida pela Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (SECCOR) foi marcada por vícios considerados “insanáveis”.

Entre as irregularidades apontadas pelos advogados estão ações ilegais de coleta de provas, como a requisição, sem autorização judicial, de dados fiscais sigilosos de diversas pessoas — incluindo empresários, políticos, um desembargador e até crianças. Nenhuma delas figurava formalmente como alvo do inquérito.

A Terceira Turma do TRF-1 reconheceu a nulidade do Relatório de Inteligência Financeira requisitado diretamente pela polícia, por meio do Memorando 62/2018 – 1º DICRIF, e anulou todas as provas que dele derivaram. A decisão foi registrada no Habeas Corpus nº 1008801-43.2025.4.01.0000.

Em nota à imprensa, a defesa de Bardal reiterou confiança na inocência do ex-delegado e ressaltou a importância do controle judicial sobre investigações policiais, em respeito ao sistema acusatório previsto no Código de Processo Penal.

Condenações anteriores

Apesar do revés judicial favorável, Tiago Bardal continua réu e já foi condenado por outros crimes. Em 2020, ele foi sentenciado a 10 anos e 8 meses de prisão por concussão e peculato, em decisão do juiz José Ribamar d’Oliveira Costa Júnior. Segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), Bardal recebeu propina para liberar uma carga clandestina de cigarros apreendida em 2016, sem instaurar qualquer procedimento formal contra o suspeito.

O episódio teria rendido ao ex-delegado R$ 180 mil, segundo o MP. Além da pena de reclusão, a sentença incluiu 52 dias-multa, no valor de 1/4 do salário mínimo por dia, e a execução imediata da punição.

Escalada e queda de um delegado

Tiago Bardal chegou a ocupar um dos cargos mais estratégicos da Polícia Civil maranhense, como superintendente da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC). Mas sua trajetória começou a ruir a partir de 2018, quando foi preso pela primeira vez sob suspeita de envolvimento com uma quadrilha de contrabandistas de cigarros.

As investigações indicam que, desde 2015, quando comandava o setor de inteligência da polícia em Imperatriz, Bardal estaria envolvido com esquemas de extorsão a assaltantes de banco. Conforme a Secretaria de Segurança Pública, ele receberia cerca de R$ 100 mil mensais para proteger a atuação da quadrilha, que operava no Maranhão, Pará e Tocantins.

Em outro inquérito, envolvendo o conhecido contrabandista Egildo Silva Campos, o “Diabo Louro”, o delegado regional de Viana relatou ter recebido uma ligação de Bardal solicitando que não fossem tomadas providências contra o suspeito.

Após a prisão em 2018, Bardal ainda voltou a ser detido em operações posteriores, com outros investigados em São Luís e Imperatriz. Foi expulso da Polícia Civil em abril de 2019, por decisão do Conselho da corporação, ratificada pelo então governador Flávio Dino dois meses depois.

Com um histórico marcado por acusações graves, o ex-delegado permanece no centro de um dos mais controversos episódios da segurança pública maranhense nos últimos anos — agora com parte das acusações esvaziadas pela Justiça Federal.

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