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Banco Central amplia controle do Pix para dificultar golpes e recuperar valores

A partir desta segunda-feira (2), todas as instituições financeiras que operam no Brasil passam a ser obrigadas a adotar o rastreamento estendido do Pix. A medida foi determinada pelo Banco Central (BC) e atualiza as regras do Mecanismo Especial de Devolução (MED), com o objetivo de ampliar a recuperação de valores desviados em golpes e fraudes digitais.

O recurso, que estava disponível desde novembro de 2025 de forma facultativa, torna-se agora obrigatório em todo o sistema financeiro. Com a mudança, o BC busca fortalecer o combate à chamada “tática de pulverização”, utilizada por criminosos para dificultar o rastreio do dinheiro, ao transferir rapidamente os valores para diversas contas, muitas vezes em nome de terceiros.

Rastreamento acompanha o caminho do dinheiro

Antes da atualização, o MED permitia o bloqueio apenas na primeira conta que recebia o valor. Caso o dinheiro fosse transferido novamente, o sistema perdia efetividade e reduzia as chances de devolução à vítima.

Com o novo modelo, o rastreamento passa a seguir o fluxo do dinheiro ao longo de toda a cadeia de transferências, permitindo o bloqueio de recursos em diferentes contas por onde os valores tenham circulado. A estratégia, conhecida como “follow the money”, amplia a capacidade de resposta dos bancos diante de transações suspeitas.

A mudança ocorre em meio ao aumento expressivo das fraudes envolvendo o Pix. Dados do Banco Central apontam que os prejuízos causados por golpes chegaram a R$ 4,9 bilhões em 2024, crescimento de cerca de 70% em relação ao ano anterior. Em 2025, a taxa de recuperação de valores contestados ficou em torno de 9%, índice considerado baixo pelas autoridades.

Impacto para os usuários

Para os clientes, não haverá alterações nos aplicativos bancários nem necessidade de ativar novas funções. O sistema de proteção passa a operar automaticamente pelas instituições financeiras.

Em caso de golpe ou fraude, o procedimento permanece o mesmo: o usuário deve acionar o Mecanismo Especial de Devolução o mais rápido possível por meio da área Pix do aplicativo do banco. As regras determinam que o acesso ao MED seja destacado e permita o registro da contestação sem atendimento humano imediato.

O Banco Central reforça que o MED é aplicável apenas a casos de fraude, golpe ou crime comprovado. Situações como transferências feitas por engano ou conflitos comerciais entre pessoas físicas continuam fora do alcance do mecanismo.

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