
Os dados fazem parte do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa Brasil), uma das maiores pesquisas de saúde populacional do país. Segundo os resultados, os participantes que mais consumiram adoçantes apresentaram um declínio cognitivo 62% mais acelerado do que os que ingeriram menos ou nenhum. A médica Claudia Kimie Suemoto, geriatra e professora da Faculdade de Medicina da USP, autora sênior do estudo, destaca que o trabalho reforça a necessidade de cautela no uso dessas substâncias, embora defenda mais pesquisas antes de mudanças em políticas públicas.
A preocupação com os adoçantes não é nova. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia desaconselhado o uso dessas substâncias como substitutos do açúcar, apontando riscos como aumento de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até da mortalidade. A Abiad, entidade que representa a indústria de alimentos especiais no Brasil, afirma que os adoçantes seguem regulamentos internacionais e são considerados seguros dentro dos limites estabelecidos por agências como a Anvisa, FDA (EUA) e EFSA (Europa). Ainda assim, os pesquisadores da USP fazem um alerta: o uso indiscriminado de adoçantes, especialmente por pessoas sem indicação médica, pode trazer riscos à saúde cerebral a longo prazo.




