Tecnologia

Você sabe se comportar nas redes sociais e no WhatsApp?

Especialistas dão dicas importantes de bons modos no ambiente online

Os dados mais atualizados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo IBGE, em dezembro de 2018, mostram que os brasileiros já são mais de 126,3 milhões na internet. Só no Facebook, o Brasil é o terceiro colocado em número de pessoas que postam conteúdo na rede social.

Além de compartilhar fotos, vídeos, textos e GIFs diversos, muitos desses usuários não conseguem resistir à tentação de expor tudo (até mesmo sua intimidade) na rede de Mark Zuckerberg. Algo analisado pela advogada especialista em direito cível, Cátia Civita.

– Os riscos da alta exposição pessoal nas redes sociais são amplamente abordados há tempos. Mas, ainda assim, frequentemente há pessoas divulgando informações íntimas, postando banalidades, conflitos pessoais, projetos de vida e outras questões que só interessam à própria pessoa ou aos mais próximos dela. Postar fotos em tempo real, principalmente com localização, é se tornar um alvo fácil para a atuação dos hackers e sequestradores, que encontram o ambiente ideal para roubar dados, sem fazer muito esforço – explica Cátia ao Pleno.News.

Além da ampla exposição, a ideia de que a internet é “terra de ninguém” parece estimular o usuário a escrever o que pensa, sem filtrar as palavras. A falsa impressão de anonimato por trás do computador gera discursos de ódio e preconceito nas redes. Como aconteceu com modelos negras, que foram alvo de racismo em conversas compartilhadas pelo WhatsApp, ou com a mulher que defendeu a facada em Jair Bolsonaro pelo Twitter.

PASSADO QUE VEIO À TONA
Em razão desses discursos preconceituosos, é bom que usuários das redes sociais, como Facebook e Twitter, procurem ser mais cautelosos com o que postam. Principalmente as celebridades que, ultimamente, têm tido seu passado desencavado pelos seguidores.

Antigos tuítes de Kevin Hart foram revelados por internautas Foto: EFE/Eugene Garcia

O exemplo mais recente envolveu o comediante Kevin Hart. Ele, que havia sido anunciado como apresentador da cerimônia do Oscar, desistiu do posto após antigos tuítes com piadas sobre homossexuais, publicados entre 2009 e 2011, terem vindo à tona. Advogada especializada em Direito Digital, Paula Ajzen explica que esses posts costumam se espalhar de maneira extremamente veloz, o que torna extremamente complicado reverter a situação e impedir o acesso do público ao conteúdo indesejado.

– A melhor maneira de se blindar é se prevenir e fazer o uso adequado de sites, aplicativos e redes sociais, a fim de obter os benefícios que a tecnologia traz, sem afetar a própria imagem e, principalmente, a própria segurança. Em relação aos posts antigos e atuais, vale dizer que a maioria das redes sociais, como o Facebook, por exemplo, permite que o usuário desative a opção de compartilhamento público de suas postagens. Hoje em dia, com o advento da Lei Geral de Proteção de Dados, o usuário, ao aderir a qualquer serviço oferecido por sites e/ou aplicativos, pode e deve se informar sobre quais dados pessoais a plataforma terá acesso e como estes serão utilizados.

A psicóloga e especialista em carreira e relacionamentos, Aline Saramago, também alerta que tais postagens estão na mira dos avaliadores de RH. Apesar de não ser uma avaliação aprofundada, Aline orienta a ter cuidado com fotos e comentários para não construir uma imagem negativa no ambiente profissional.

– Os recrutadores avaliam de forma superficial para ver se há algo que chame a atenção de forma negativa na avaliação. Observa-se, principalmente, as fotos destacadas e os últimos posts, por exemplo. Caso se observe algo que, de alguma forma, vá contra os valores da empresa ou que possa ir contra a imagem da mesma, o candidato pode não ser selecionado. Há algumas empresas que são menos rigorosas com relação a isso, porém, mesmo assim, é importante checar se não há muita exposição própria da intimidade pessoal que possa ir contra a própria pessoa na hora da contratação.

FAKE NEWS
Outro detalhe dentro do cenário virtual que denota grande atenção são as chamadas fake news. Algo que se popularizou principalmente durante a campanha política de 2018. O presidente Jair Bolsonaro, na época, veio a público desmentir uma série de inverdades divulgadas pela oposição. Lutando contra um câncer, a cantora Ludmila Ferber também precisou desmentir notícias de que ela teria morrido.

Divulgada no dia 20 de fevereiro, uma pesquisa feita pelo IBOPE Conecta, de 21 a 26 de junho de 2018, com 2 mil internautas de todas as regiões do Brasil, apontou que essas notícias falsas são o que mais incomoda o internauta brasileiro. Até mesmo casos como a tragédia em Brumadinho foram envolvidos por uma série de mentiras. Uma delas até alegava que a quebra da barragem tinha ligação com atentado terrorista.

– É sempre importante ficar atento à fonte. Alguns sites de fake news usam endereços e layouts parecidos com os de grandes portais de notícias, induzindo o internauta a pensar que são páginas de credibilidade. Por isso, todo cuidado é pouco na internet. A maneira mais efetiva de diminuir os impactos das fake news é cada cidadão fazer sua parte, compartilhando apenas aquilo que tem certeza de que é verdade. O ideal é duvidar sempre e procurar informações em outros veículos, especialmente nos conhecidos como grande mídia – aconselha a advogada Cátia Civita.

Fake news dizia que Universal estaria tatuando fiéis Foto: Reprodução

Já a advogada Paula Ajzen reforça que notícias divulgadas apenas em um único veículo ou canais de comunicação com credibilidade duvidosa devem ser evitadas. Dessa forma, notícias como a de que a Igreja Universal do Reino de Deus estaria tatuando os seus fiéis, não ganharam tanta proporção nas redes sociais.

No que se refere às imagens que circulam nas redes sociais, é importante lembrar de que, muitas vezes, se tratam de montagens. Portanto, antes de compartilhar determinada imagem, recomenda-se que se faça uma busca reversa, cujo intuito é procurar a imagem no Google e encontrar outros lugares em que tal imagem, ou outras semelhantes, tenham sido publicadas.

MANUAL DE BOAS MANEIRAS
A convite do Pleno.News, nossas três entrevistadas – as advogadas Cátia Civita e Paula Ajzen e a psicóloga Aline Saramago – reuniram dicas importantes para saber como usar as redes sociais e aplicativos de mensagens de forma correta. Veja a seguir e compartilhe com o máximo de pessoas que puder.

1. Evite o compartilhamento de senhas para evitar exposições e riscos desnecessários;
2. Não poste fotos íntimas ou que divulguem sua rotina diária ou de sua família;
3. Atenção ao uso de geolocalização, ou seja, a divulgação do local onde se encontra em tempo real;
4. Não utilize redes de wi-fi públicas, que facilitam o acesso de hackers aos dados contidos em computadores e/ou celulares;
5. Mantenha o mínimo possível de informações em seus perfis;
6. Tenha atenção à configuração de privacidade em seus perfis e aos termos de uso e políticas de privacidade de sites, redes sociais e aplicativos;
7. Evite clicar em links desconhecidos;
8. É importante ler, reler e refletir, antes de sair por aí publicando sua opinião de qualquer maneira nas redes;
9. Evite postar conteúdos difamatórios e/ou preconceituosos;
10. Não utilize as redes sociais para fazer comentários negativos sobre a empresa e/ou colegas com quem trabalhou e/ou trabalha;
11. Atente para a divulgação de fotos que possam causar interpretações errôneas sobre a sua índole (como por exemplo, fotos de animais sendo mal tratados);
12. Caso a pessoa tenha uma divergência de opinião, é melhor conversar presencialmente, pois a forma como se coloca na internet pode ir contra quem propaga a mensagem;
13. Com relação às fotos, elas não devem ser comprometedoras, pois o ambiente profissional pressupõe seriedade.

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