Causou indignação, vergonha e constrangimento o comportamento de alguns vereadores de São Luís que, por meio de seus gestos e posicionamentos, demonstraram mais uma vez que não estão ao lado da população, mas voltados para interesses próprios.
A população da capital maranhense acompanhou, nesta semana, mais um episódio que reforça a percepção de que parte dos parlamentares não está legislando com foco no interesse público, mas sim atendendo a determinado grupo político, em uma tentativa de desgastar o prefeito Eduardo Braide. O gestor, por sua vez, segue exercendo seu papel administrativo mesmo diante de uma Câmara marcada por sucessivos embates políticos e alinhamentos com o Palácio dos Leões, em meio a articulações que miram o cenário eleitoral e a possível ascensão de uma pré-candidatura ligada ao grupo do governador Carlos Brandão.
Mas vamos ao ponto central. A Câmara Municipal de São Luís, sob a presidência de Paulo Victor — que enfrenta denúncias e já é réu por corrupção passiva, ao lado de outros vereadores alinhados ao governador oligarca Carlos Brandão — vem, desde o ano passado, retardando a tramitação e votação do Orçamento de 2026. Atualmente, São Luís é a única capital brasileira que ainda não apreciou a Lei Orçamentária Anual (LOA).
E qual seria o motivo? Alguma irregularidade técnica? Erro formal? Inconsistência nas contas? Não. O que se observa é um impasse político. O orçamento permanece parado por decisão da maioria dos vereadores, em um movimento interpretado como estratégia de enfrentamento ao Executivo municipal.
Nesta quarta-feira (11), foi apresentado pedido de urgência para a votação do Orçamento de 2026. No entanto, 19 vereadores votaram pelo adiamento da apreciação da LOA, mesmo diante de decisão judicial que estabelece prazo até sexta-feira para análise da matéria.
A decisão é vista como mais um capítulo da disputa política entre aliados do governador Carlos Brandão e o prefeito Eduardo Braide. Ao rejeitarem a urgência e adiarem novamente a votação, os parlamentares podem incorrer no descumprimento da determinação judicial que fixou prazo para deliberação do projeto.
O Orçamento é peça fundamental para assegurar investimentos, custeio da máquina pública e execução de políticas públicas ao longo de 2026. O novo adiamento aprofunda a crise institucional e pode resultar em novas medidas judiciais.
Votaram contra o regime de urgência os vereadores Anderson Borges, Andrey Monteiro, Antonio Garcês, Astro de Ogum, Clara Gomes, Concita Pinto, Daniel Oliveira, Edson Gaguinho, Marcelo Poeta, Marcos Castro, Marlon Botão, Nato Jr., Paulo Victor, Pavão Filho, Raimundo Júnior, Raimundo Penha, Rommeo Amin, Thay Evangelista e Wendell Martins.
Em vez de contribuir com o debate e ajudar a destravar pautas importantes para a cidade, esses parlamentares optam pelo caminho oposto. Vale lembrar que cada vereador recebe salário superior a R$ 15 mil, além de verbas indenizatórias destinadas ao custeio do mandato. Diante desse cenário, a pergunta que permanece é: afinal, para que servem alguns vereadores de São Luís?

