À época, o governo estadual autorizou a redução do valor das passagens, assumindo o compromisso de compensar financeiramente os operadores das embarcações. A medida foi anunciada como benefício para moradores de Alcântara e turistas, mas os repasses não foram realizados conforme acordado, resultando em prejuízos acumulados ao longo dos últimos anos.
A crise no transporte não se limita ao sistema rodoviário da Grande Ilha, que também enfrenta atrasos e inadimplência. No transporte aquaviário, a situação é considerada ainda mais grave. Empresários afirmam que mantiveram o serviço com tarifa reduzida por meses, arcando com elevados custos operacionais, até que a falta de repasses tornou a atividade financeiramente insustentável.
Levantamento aponta que a dívida passou por diferentes órgãos do governo estadual sem solução. Em fevereiro de 2023, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB), então presidida por Gilberto Lins, deixou valores em aberto antes da saída do gestor para assumir a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). Posteriormente, a Emap, que passou a gerir o transporte aquaviário, também não regularizou os débitos.
Mais tarde, a MOB passou a ser comandada pelo ex-deputado Adriano Sarney, que herdou parte da dívida, mas igualmente não conseguiu resolver o impasse. Fontes ouvidas indicam que o governo deve cerca de oito meses de repasses, sendo três meses atribuídos à MOB e cinco à Emap. Atualmente, a responsabilidade pelo transporte aquaviário estaria sob a Secretaria de Governo (Segov), que também não efetuou os pagamentos pendentes.
Sem receber o subsídio prometido, os empresários suspenderam, em janeiro de 2024, a operação com tarifa reduzida. O retorno ao valor integral das passagens evitou um colapso financeiro imediato, mas não foi suficiente para quitar dívidas acumuladas com fornecedores, manutenção das embarcações e pagamento de funcionários.
Além da inadimplência, empresários demonstram preocupação com informações de bastidores. Segundo fontes ligadas ao Porto do Jacaré, em Alcântara, o governo estadual estaria articulando a entrada de uma lancha pertencente a um empresário aliado político para operar na travessia, o que poderia resultar na retirada das embarcações tradicionais da linha. A possibilidade é vista como agravamento da crise e desrespeito aos operadores locais, que aguardam há quase quatro anos o pagamento do subsídio.
Diante do cenário, há cobranças para que o Ministério Público, especialmente a Promotoria de Justiça de Alcântara, adote providências para exigir do governo estadual a quitação da dívida, sob risco de colapso no funcionamento da travessia entre Alcântara e São Luís.
A reportagem tentou contato com a MOB pelo telefone disponível no site oficial, sem retorno. A Emap também foi procurada por e-mail institucional, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria. Ambos os órgãos seguem com espaço aberto para esclarecimentos.
Os proprietários das embarcações ouvidos preferiram não se identificar, por receio de retaliações. Segundo eles, desde novembro de 2025 há promessas recorrentes de pagamento parcial da dívida, que até o momento não se concretizaram.
Com informações do Portal G7MA.

