Trump passou a pressionar aliados europeus para que aceitem uma eventual transferência de controle da ilha aos Estados Unidos, chegando a ameaçar a imposição de tarifas comerciais contra países da União Europeia. As declarações foram recebidas com forte reação de lideranças europeias. O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que não aceitará chantagens, enquanto autoridades francesas classificaram a postura americana como inédita entre aliados históricos.
A crise levou a reuniões emergenciais entre líderes europeus, que passaram a discutir medidas de retaliação econômica, incluindo a possibilidade de tarifas sobre produtos norte-americanos e restrições ao acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu. Diplomatas chegaram a mencionar um pacote de até 93 bilhões de euros em sanções comerciais, caso as ameaças se concretizassem.
Na quarta-feira (21), após encontro com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump anunciou que um acordo sobre a Groenlândia estaria próximo e recuou da imposição das tarifas, reduzindo momentaneamente a escalada do conflito. Apesar disso, autoridades europeias avaliam que o episódio deixou marcas profundas na relação transatlântica, sobretudo pela ameaça à soberania de um país aliado da Otan.
Especialistas apontam que a postura de Trump reforça a desconfiança da Europa quanto às garantias de segurança oferecidas pelos Estados Unidos, em um momento em que o continente ainda depende fortemente de Washington para questões como a guerra na Ucrânia. Ao mesmo tempo, o episódio é acompanhado com atenção por potências como Rússia e China, que observam sinais de fragilização da unidade do Ocidente.
Embora as relações entre Estados Unidos e Europa não estejam rompidas, o impasse em torno da Groenlândia evidenciou divergências profundas e a necessidade de maior coesão entre os países europeus diante de um cenário internacional cada vez mais instável.

