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Envolvido até o pescoço! Ex-funcionário do Careca do INSS diz que filha do senador ‘Weverton Maragato’ fez viagem em jatinho

As fortes ligações entre Weverton e Careca do INSS

As fortes ligações entre Weverton e Careca do INSS

A cada nova revelação da Operação Sem Desconto, torna-se mais difícil dissociar o nome do senador Weverton Rocha (PDT-MA), conhecido no meio político como Weverton Maragato, do maior esquema de desvio de recursos do INSS já investigado no Brasil. O parlamentar surge reiteradamente em depoimentos, relatórios policiais e conexões políticas que apontam para sua proximidade com Antônio Carlos Camilo Antunes, o lobista apelidado de “Careca do INSS”, apontado pela Polícia Federal como operador central da fraude bilionária que atingiu aposentados em todo o país.

Um dos episódios mais emblemáticos veio à tona a partir do depoimento de um ex-funcionário de Antunes à Polícia Federal. Segundo o relato, uma filha do senador teria viajado em fevereiro de 2024 em uma aeronave pertencente ao empresário investigado, em um trajeto que envolveu Brasília, São Paulo e o Maranhão. O voo, descrito em detalhes pelo depoente, incluiu o transporte de malas e encontros pessoais que, para os investigadores, reforçam a intimidade entre o grupo político do senador e o núcleo do esquema criminoso.

Não se trata de um fato isolado. O mesmo ex-funcionário já havia afirmado, em outros depoimentos, que Antunes se dizia “tranquilo” mesmo após a deflagração da operação policial, alegando contar com o apoio direto de Weverton Rocha. Em uma das declarações mais graves, o lobista teria afirmado que estava “desmontando o circo” em conjunto com o senador — expressão que, para a Polícia Federal, sugere articulação política para conter ou enfraquecer os efeitos da investigação.

As apurações indicam que o esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários só alcançou a dimensão bilionária conhecida hoje graças à proteção política e à influência institucional de agentes públicos. Nesse contexto, Weverton Rocha é apontado pelos investigadores como possível beneficiário final e sócio oculto da organização, atuando por meio de assessores parlamentares e aliados estratégicos. Não por acaso, o senador chegou a ser alvo de buscas e teve seu nome incluído em pedidos de medidas mais duras, como a prisão preventiva — negada pelo Supremo Tribunal Federal.

Apesar das negativas públicas do parlamentar, que afirma não manter vínculos financeiros com os investigados, o volume de conexões expostas pela investigação segue crescendo. Ex-assessores presos, indicações políticas para cargos estratégicos no INSS, encontros frequentes com o lobista e agora o envolvimento de familiares formam um mosaico que reforça a percepção de que o senador não orbitava o esquema por acaso.

Enquanto aposentados amargam prejuízos causados por descontos ilegais em seus benefícios, o caso expõe mais uma vez como estruturas políticas podem servir de escudo para organizações criminosas. No centro desse enredo, Weverton Rocha enfrenta não apenas a investigação policial, mas o desgaste público de ver seu nome associado, dia após dia, a um escândalo que já entrou para a história como a maior fraude contra o sistema previdenciário brasileiro.

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