O ano de 2025 foi confirmado como o terceiro mais quente já registrado desde o início das medições globais, surpreendendo cientistas pela intensidade do aquecimento mesmo sob a influência do fenômeno La Niña, que tradicionalmente contribui para a redução das temperaturas médias globais. O dado reforça o avanço acelerado do aquecimento global provocado pela ação humana e aprofunda o alerta sobre a crise climática em curso.
Nos últimos três anos, a temperatura média do planeta ultrapassou o limite de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, patamar estabelecido como referência no Acordo de Paris para evitar impactos climáticos mais severos. Especialistas alertam que essa marca, antes considerada um limite a ser evitado no longo prazo, vem sendo superada de forma recorrente, indicando um cenário de aquecimento persistente e cada vez mais difícil de reverter.
As consequências já são sentidas em diversas regiões do mundo. Ondas de calor extremo, secas prolongadas, incêndios florestais, enchentes e tempestades intensas tornaram-se mais frequentes e destrutivas. No Brasil, episódios de estiagem severa alternam-se com chuvas intensas, afetando a produção agrícola, o abastecimento de água, a geração de energia e a segurança alimentar, além de ampliar riscos à saúde da população.
Apesar da gravidade do cenário, a cooperação climática internacional enfrenta sinais de enfraquecimento. Dificuldades nas negociações multilaterais, atrasos no cumprimento de metas de redução de emissões e disputas geopolíticas comprometem ações coordenadas para conter o aquecimento global. Países em desenvolvimento, mais vulneráveis aos impactos climáticos, continuam cobrando maior responsabilidade das nações industrializadas, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa.
Cientistas destacam que o enfrentamento da crise climática exige medidas urgentes e estruturais, como a transição para fontes de energia limpa, o combate ao desmatamento, investimentos em adaptação climática e políticas públicas voltadas à redução das desigualdades socioambientais. O desempenho climático de 2025 reforça que o tempo para respostas graduais está se esgotando e que as decisões tomadas agora serão determinantes para o futuro do planeta.

