A Operação Tântalo II, deflagrada na segunda-feira (22) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Maranhão, resultou na prisão da vice-prefeita de Turilândia, Tânya Mendes, e de cinco vereadores do município. A ação aprofunda as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos que pode ter causado prejuízo superior a R$ 56,3 milhões aos cofres municipais.
De acordo com o Gaeco, o esquema investigado envolve a utilização de empresas de fachada, contratos supostamente fraudulentos e a emissão de notas fiscais falsas, com repasses irregulares de recursos públicos durante a gestão do prefeito José Paulo Dantas Filho, conhecido como Paulo Curió. O gestor não foi localizado no momento do cumprimento dos mandados judiciais.
Ao todo, a operação cumpriu 21 mandados de prisão e 51 mandados de busca e apreensão em pelo menos dez municípios maranhenses, entre eles São Luís, Pinheiro, Santa Helena, Barreirinhas e São José de Ribamar. Entre os alvos estão agentes políticos, servidores públicos, empresários e pessoas físicas. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 9,4 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados.
As investigações apontam que a vice-prefeita Tânya Mendes e o marido, Ilan Alfredo Mendes, seriam beneficiários diretos do esquema, com indícios de recebimento de valores provenientes de empresas contratadas pelo município. Os crimes apurados incluem organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e grandes quantias em dinheiro. Em um dos alvos, em São Luís, quase R$ 5 milhões em espécie foram recolhidos. Todo o material será analisado pelo Gaeco e pelo Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), com o objetivo de fortalecer o conjunto probatório da investigação.
As decisões que autorizaram a operação foram expedidas pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, por determinação da desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim. A ação é um desdobramento da Operação Tântalo, realizada em fevereiro deste ano, que já havia identificado indícios de irregularidades na administração municipal de Turilândia.
O Ministério Público informou que, após a análise do material apreendido, poderá apresentar denúncia formal contra os envolvidos. O nome da operação faz referência a Tântalo, personagem da mitologia grega condenado a uma punição eterna, metáfora utilizada para representar recursos públicos que, embora previstos em contratos, não se converteriam em benefícios efetivos para a população.

