O tempo de exposição a telas entre crianças de zero a seis anos mais que dobrou no Brasil na última década, acendendo um alerta entre especialistas em saúde e educação infantil. Dados recentes apontam que celulares, tablets e televisores têm sido utilizados cada vez mais cedo na rotina das famílias, muitas vezes como forma de entretenimento ou para acalmar as crianças.
De acordo com pesquisas nacionais, uma parcela significativa das crianças pequenas passa mais de duas horas por dia em frente às telas, tempo considerado excessivo para essa faixa etária. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças de até dois anos não tenham qualquer exposição a telas e que, entre dois e cinco anos, o uso seja limitado a no máximo uma hora diária, sempre com supervisão de adultos.
Especialistas alertam que o uso excessivo pode trazer prejuízos ao desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Entre os principais impactos estão atrasos na fala, dificuldades de atenção, problemas no sono e redução das interações sociais, fundamentais nos primeiros anos de vida.
A popularização dos dispositivos digitais, aliada à rotina acelerada dos adultos, é apontada como um dos fatores que contribuem para esse aumento. Muitos pais relatam dificuldades em conciliar trabalho, tarefas domésticas e cuidados com os filhos, recorrendo às telas como apoio.
Profissionais da área reforçam que a tecnologia não deve ser completamente proibida, mas utilizada com equilíbrio. Atividades como brincadeiras ao ar livre, leitura, jogos simbólicos e interação com outras crianças continuam sendo essenciais para o desenvolvimento saudável na primeira infância.
O tema tem mobilizado debates entre educadores, profissionais da saúde e famílias, reforçando a necessidade de informação, orientação e políticas públicas que apoiem o desenvolvimento infantil em um cenário cada vez mais digital.

