O Maranhão tem mais de meio milhão de pessoas vivendo em favelas e comunidades urbanas com infraestrutura limitada, segundo o informativo “Favelas e Comunidades Urbanas no Entorno dos Domicílios” do Censo Demográfico 2022, divulgado nesta sexta-feira (5) pelo IBGE.
O levantamento identificou 198 favelas em 14 municípios, somando 503.753 moradores em áreas marcadas pela insegurança da posse e pela falta de serviços públicos essenciais.
São Luís concentra a maior parte dessa população, com 100 favelas e mais de 358 mil moradores, o equivalente a 71,2% do total registrado no estado. A capital também apresenta alguns dos indicadores mais críticos de urbanização desigual, embora tenha índices superiores à média estadual em pavimentação e iluminação.
O estudo aponta que 76,2% dos moradores de favelas no Maranhão vivem em ruas com algum tipo de calçada, mas 96,9% dessas calçadas apresentam obstáculos, como buracos e desníveis. A acessibilidade é uma das maiores fragilidades: apenas 2,1% das vias têm rampas para cadeirantes, proporção que cai para 1,9% em São Luís.
A arborização também é limitada. Somente 31,5% dos moradores de favelas vivem em ruas com árvores, percentual que chega a 30,2% na capital.
A iluminação pública aparece como um dos pontos com melhor cobertura: 97,9% das moradias em favelas no estado estão em vias iluminadas; em São Luís, o índice atinge 98,2%, o segundo maior entre as capitais brasileiras.
Já o acesso ao transporte público é reduzido. Apenas 5,6% dos moradores de favelas no Maranhão vivem próximos a vias com ponto de ônibus sinalizado; em São Luís, o percentual é de 5,8%.
Quanto à pavimentação, o estado registra 78,8% das vias pavimentadas em áreas classificadas como favelas, enquanto a capital alcança 91,4%, situando-se entre as maiores taxas do país. Por outro lado, o escoamento de água permanece crítico: somente 25,2% das moradias nessas áreas no Maranhão têm bueiro ou boca de lobo, número que sobe para 30,1% em São Luís.
A maior concentração de moradores em favelas está na Região Metropolitana da capital — São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa — que reúne a maior parte da população urbana do estado e concentra os maiores desafios estruturais de urbanização.

