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Governo oligarca de Carlos Brandão repassou R$ 900 milhões a empresa do prefeito cuja vice é sua sobrinha

Prefeito Fred Campos e Mariana Brandão ao lado do tio governador Carlos Brandão

As revelações feitas pela Coluna do Estadão em julho deste ano continuam repercutindo no cenário político maranhense e reacenderam, neste fim de 2025, as críticas ao governador oligarca Carlos Brandão (sem partido). A reportagem mostrou que o Governo do Maranhão repassou cerca de R$ 909 milhões à Qualitech, empresa de engenharia pertencente ao prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos, e ao pai dele, valores que, à época, já levantavam suspeitas pela proximidade entre os envolvidos e pelos laços familiares com o próprio governador.

Mesmo meses após a publicação, o caso permanece sem esclarecimentos convincentes e segue alimentando questionamentos sobre favorecimento político e uso da máquina pública para beneficiar aliados diretos do Palácio dos Leões.

Segundo o levantamento do Estadão, enquanto Brandão era vice-governador na gestão Flávio Dino, a Qualitech recebeu R$ 220 milhões entre 2015 e 2021 — média de R$ 37 milhões por ano. A virada ocorre em 2022, quando Brandão assume o comando do Estado: os pagamentos saltam para R$ 260 milhões anuais, um aumento sem precedentes.

O total repassado durante seu governo corresponde a 80% de tudo o que a empresa recebeu do Estado em dez anos.

O ponto mais sensível, no entanto, é a ligação direta da Qualitech com agentes políticos próximos ao governador. Além de ser controlada por Fred Campos, atual prefeito de Paço do Lumiar, a gestão municipal tem como vice-prefeita Mariana Brandão, sobrinha do governador oligarca.

Outro dado que fortalece as suspeitas é que 30 dos 40 contratos firmados entre a empresa e o governo estadual tiveram aditivos feitos já na gestão Brandão, ampliações de valores ou prazos sem nova licitação.

O maior deles, de R$ 65 milhões, foi assinado em agosto de 2024, durante a campanha municipal em que justamente Mariana Brandão compunha a chapa de Fred Campos.

Apesar disso, o governo nega irregularidades e afirma que parte dos pagamentos eram referentes a obras de gestões anteriores. No entanto, o Estadão observou que o Executivo não explicou o motivo de tantos aditivos sem concorrência pública.

A situação se agrava pelo passado de Fred Campos, que já utilizou tornozeleira eletrônica na campanha de 2024 e foi indiciado pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema de desvio de recursos do Banco do Nordeste por meio de decisões judiciais manipuladas.

A reportagem também lembrou que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou, este ano, o afastamento de parentes do governador de cargos comissionados no governo, citando prática de nepotismo. Entre os afastados estavam Marcus Brandão, irmão do governador e pai de Mariana, além do marido de Mariana, então lotado na Secretaria de Infraestrutura.

Como se não bastasse, o Estadão ainda registrou que Brandão e seu irmão deram aval a um empréstimo de R$ 17,7 milhões a um sobrinho durante a eleição de 2022, ano em que o governador declarou ao TSE ter apenas R$ 479 mil em bens.

Em nota enviada anteriormente ao jornal, o governo afirmou que mais de 50% dos R$ 909 milhões corresponderiam a obras antigas. Mas o Portal da Transparência mostra que a maior parte dos contratos foi prorrogada ou aditivada já no governo do próprio Brandão, o que contraria a justificativa oficial.

Cinco meses depois da revelação, com a proximidade do novo ciclo político e o acirramento das disputas internas no Estado, o episódio volta a ganhar força e reforça o desgaste da imagem do governador oligarca Carlos Brandão, cuja gestão é repetidamente associada a uma teia de relações familiares, contratos multimilionários e decisões administrativas que beneficiam um núcleo restrito de aliados.

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