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Déficit Previdenciário dos MEIs já soma R\$ 711 bilhões, aponta estudo da FGV

Nova versão do aplicativo MEI permite consultar pendências (Ilustrativo)

Um estudo do Observatório de Política Fiscal da FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) revela que o regime dos Microempreendedores Individuais (MEIs) acumula um déficit atuarial de R\$ 711 bilhões na Previdência Social. Com projeções de aumento real de 1% ao ano no salário mínimo, esse valor pode ultrapassar R\$ 974 bilhões. O levantamento é assinado por Rogério Nagamine, ex-subsecretário do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que classifica o modelo como uma “bomba previdenciária”.

Criado há 16 anos para formalizar trabalhadores autônomos e de baixa renda, o MEI permite a abertura de CNPJ, emissão de notas fiscais e acesso a benefícios previdenciários mediante contribuição mensal equivalente a 5% do salário mínimo. Hoje, o programa já conta com 16,2 milhões de inscritos. No entanto, a arrecadação tem sido insuficiente para cobrir os benefícios futuros previstos em lei.

Segundo o estudo, embora os MEIs representem quase 12% dos contribuintes da Previdência, eles respondem por apenas 1% da arrecadação. Mantidas as regras atuais, Nagamine projeta um déficit acumulado de até R\$ 1,9 trilhão nas próximas sete décadas. A análise considerou dados até 2020, como faixa etária, expectativa de vida, sexo e histórico de contribuições.

Para a advogada Adriane Bramante, conselheira da OAB-SP e do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), o MEI é uma ferramenta de inclusão, mas com alto custo fiscal. “Um trabalhador contribui por 180 meses com 5% do salário mínimo, algo em torno de R\$ 18 mil. Depois, pode receber benefícios por décadas. Em um ano, ele recupera tudo que pagou”, destaca.

O estudo também aponta distorções no mercado de trabalho provocadas pelo uso indevido do regime. Há migração de trabalhadores formais para o MEI e casos em que empresas utilizam microempreendedores para burlar encargos trabalhistas — prática comum em salões de beleza, sob a Lei do Salão Parceiro, e em instituições de ensino, que substituem professores contratados por prestadores de serviço enquadrados como MEIs.

Outro fator de alerta é a pressão política para ampliar o alcance do programa, sobretudo em anos eleitorais. Propostas em discussão no Congresso sugerem aumentar o teto de faturamento anual de R\$ 81 mil para R\$ 130 mil e permitir a contratação de mais de um funcionário, o que pode ampliar ainda mais o impacto fiscal.

Apesar das críticas, Bramante defende que o MEI ainda é preferível à ausência total de proteção social. Sem ele, muitos trabalhadores poderiam futuramente depender do BPC (Benefício de Prestação Continuada), voltado a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. No entanto, o estudo da FGV rebate esse argumento, afirmando que o MEI gera mais obrigações ao Estado, como 13º salário e pensão por morte, que não existem no BPC.

Até o momento, o Ministério da Previdência Social e o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte não se manifestaram sobre o conteúdo do estudo.

Se quiser uma versão ainda mais enxuta ou com foco específico (ex: só os impactos fiscais ou só os aspectos sociais), posso ajustar.

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