Dentre eles, 67,2% consideram que mulheres são mais afetadas pela ansiedade do que os homens. Além disso, a maioria também afirma que as casadas sofrem mais com este problema do que as solteiras – tenham filhos ou não.
O questionário possibilitou avaliar quais os principais motivos causadores de ansiedade em diversos âmbitos da vida. Em relação ao trabalho, a causa mais citada foi a sobrecarga de tarefas. Depois, da razão mais importante para aquelas com menos relevância, estão: desemprego, ganhar menos do que gostaria ou necessita, medo de perder o emprego, sentimento de inferioridade no trabalho, insatisfação com chefes e falta de tempo para estudar/aprender mais.
Havia ainda um espaço para o que os psicólogos pudessem fazer comentários sobre as motivações propostas. “Há uma ansiedade por desempenho: como a mulher se vê e como gostaria de ser vista, uma espécie de autoexigência com performance”, disse um dos entrevistados. “A forma como a mulher é desvalorizada e julgada pela sociedade em relação à maternidade e ao ambiente profissional é um forte gatilho emocional”, afirmou outro.
“Percebo muita ansiedade por se cobrarem demais. Esse mundo que busca muita produtividade, tem feito com que elas busquem ser produtivas o tempo todo e em todas as áreas da vida. E automaticamente se enxergam fracas se não produzem, se não se sentem úteis! É o que mais vejo nas sessões”, destacou um terceiro.
Com relação às tarefas domésticas, a maior parte respondeu que ter pouca ou nenhuma divisão de tarefas domésticas com companheiro é mais estressante do que ter pouca ajuda dos filhos.
A pesquisa mostrou ainda que as mulheres se preocupam mais com a saúde de seus familiares do que com a própria. A preocupação com a saúde dos filhos é a mais causadora de ansiedade. Em seguida, vem a preocupação com cuidados dos pais, depois com a própria saúde – por ir menos ao médico do que gostaria.
Por fim, está preocupação com a saúde do companheiro. “A pandemia e o medo da morte foram muito reais, estiveram presentes em muitas famílias e foram um dos principais motivos de ansiedade nos últimos dois anos”, observou um entrevistado.
Os relacionamentos conjugais também foram analisados. O principal motivo de ansiedade nesta área é o sofrimento por ser vítima de violência doméstica. Em seguida, está a preocupação pelo uso excessivo que o parceiro faz de álcool ou outras substâncias psicoativas.
Na sequência, por ordem de importância, estão: forma com que o (a) companheiro(a) se relaciona com outras pessoas, provocando ciúmes ou insegurança; preocupação com a aceitação por questões estéticas e preocupação com o trabalho do companheiro, pelo medo de que ele venha a perder o emprego.
Em relação à família, a principal causa de ansiedade é a preocupação com o comportamento dos filhos e, depois, com a educação deles.
A última parte do questionário foi dedicada a temas sociais. Neste quesito, a maior causa de ansiedade é o medo da violência urbana. Em seguida, está o temor de assédio sexual e, por último, a preocupação com a política do país.
“As mulheres adoecem por não falar e lutar pelo que desejam, por se sentirem submissas ou oprimidas”, relatou um psicólogo.
“Frustrações por estarem em famílias que projetam muitas coisas para a pessoa e ela [mulher] não consegue alcançar, é muito recorrente. Geram questões de insegurança e sentimento de impotência pessoal. Além disso, medo do futuro, medo de ficar sozinha, tanto em questão de relacionamentos, quanto de amizades também são pontuados por nossas pacientes”, acrescentou.

