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Mensalidade vai subir em 91% das escolas; reajuste pode chegar a 12%

A gente tem que ter claro que todo aumento de contato implica aumento da transmissão. Não existe volta às aulas sem aumento nenhum de contato. No entanto, o governo precisa manter o número de casos baixos e em queda, na medida do possível. Nessa perspectiva, é possível reabrir as escolas, sem reabrir outras atividades, e ter um impacto pequeno. Como eu disse, não há impacto zero. É preciso pensar de duas formas: é seguro ir para a escola? Neste momento, não, porque estamos no meio de uma catástrofe. Em cenários de baixa de casos, você pode ter formas de tentar fazer com que o perigo de volta às escolas seja reduzido. Outra coisa é perguntar se a simples volta às aulas pode gerar um novo pico epidêmico, por uma reprodução de casos, já que a escola é uma conexão entre domicílios, por meio das crianças. Tem que se tomar bastante cuidado com isso. É para esse fim que deve haver as testagens e o rastreio. Mas isso não foi aventado em lugar nenhum no Brasil. E isso só se coloca quando há poucos casos, e você não quer que a reabertura das escolas crie novos casos. Não é a situação atual. A gente vive uma explosão de casos, e está preocupado se ir para a escola é seguro ou não. Nesse caso, não é seguro. O Brasil poderia ter criado condições para priorizar a reabertura das escolas? O discurso da reabertura só contemplava a economia, que, aparentemente, se restringe aos estabelecimentos comerciais. Poderia ter sido criada uma situação em que a prioridade tivesse sido invertida, e ainda com um impacto pequeno. Diferentemente dos países europeus, asiáticos e dos EUA, nunca se tentou implementar no Brasil a ideia de testagem em massa para encontrar as pessoas assintomáticas e rastrear as que tiveram contato com elas, as chamadas contactantes. A partir disso, seria possível mantê-las quarentenadas até saírem os resultados dos testes. Esse método funciona como uma forma de contenção se o número de casos é baixo. Se for muito alto, não tem sistema de rastreio de contactantes que abarque a quantidade de pessoas a ser rastreadas. Isso ficou muito claro em outubro, quando a [chanceler federal] Angela Merkel admitiu, na Alemanha, ter perdido o controle do rastreio. Quando o número de casos é bem baixo, é possível delimitar os sustos. Se surge um caso, você consegue sufocar, ao mapear todos os contactantes. Em nenhum lugar do Brasil isso foi feito. Simplesmente, desistiram. Há pouquíssimos exemplos da tentativa de manter um sistema de rastreio. Você pode olhar nos modelos matemáticos, ver o efeito do rastreio, de contactantes, colocar em quarentena preventivamente até saber se estão infectadas. Mas não houve isso, mesmo nos estados mais ricos. Inevitavelmente, o lockdown gera uma contenção do contágio, pela redução do contato. O que resta responder é como sair de uma forma que não crie um novo efeito de subida. É a coisa mais difícil de saber como proceder, neste momento. Depois que você consegue diminuir o número de casos, em uma situação de restrição, com todo mundo em casa, como abrir escolas e o comércio sem relançar a epidemia? É uma questão difícil. Em momentos mais brandos da pandemia, estados e municípios tentaram reabrir as escolas. Houve o devido cuidado com os protocolos sanitários? Foi absolutamente caótico. O que mais se ouviu foi o discurso de que iriam reabrir as escolas com toda a segurança, sobretudo nas particulares. Quando você vai esmiuçar a segurança, é uma porcaria. Tinha colégio passando as pessoas por um túnel de ozônio. Isso não serve para nada, só faz mal à pessoa. O vírus se transmite porque você fala e respira, pelo ar, e não porque sua roupa está cheia de vírus. Existem muitas coisas que estão só no nível do discurso retórico, de que tudo será feito com a máxima segurança. É como quando você entra no supermercado e tiram sua temperatura no pulso. Muitas vezes, parece que você já está morto, de tão baixa que ela sai. Não são medidas reais de segurança, são apenas simbólicas. Acho que existe consciência muito maior por parte dos gestores das escolas públicas sobre o que é perigoso e o que não é, mas eles contam com recursos muito mais escassos. Tem esse problema. Deveriam ter sido levadas mais a sério uma série de possibilidades que não são discutidas amplamente. Por exemplo, ter aulas ao ar livre. Fala-se na importância de ter ventilação da sala. Aí, você vai ver, e a sala tem uma janela. Não adianta. A ventilação tem que ser ampla, de fato. Que outras medidas seriam importantes para essa retomada? Você tem que ter menos gente na classe. É possível formar bolhas, seja a classe inteira ou um conjunto dela, que não entram em contato com outros estudantes. Isso tem que ser feito de tal forma a evitar aquela grande aglomeração na frente das escolas, senão não funciona. Teria que haver um acompanhamento muito forte. E, acompanhado, obviamente, de testagem. Na Alemanha, estão se introduzindo agora os testes rápidos de antígenos, não os sorológicos. Na Inglaterra, eles tinham o objetivo de usar essa ferramenta para testar cada estudante duas vezes por semana. É preciso testar nessa escala e lidar com as consequências quando o teste dá positivo. Mas, junto com isso, você tem que adotar gestos de cuidado: a formação de bolhas, o distanciamento entre grupos, não ter o recreio no mesmo horário para todos. Com criança pequena, é um desafio muito grande. Não sei qual é a solução específica nesse caso. É preciso ser meticuloso e ter muita atenção aos detalhes. Aqui, só se observou a redução nas classes, que naturalmente tiveram algum impacto, mas é muito insuficiente. De toda forma, as explosões de casos recentes não têm nada a ver com escola. Filhos na pré-escola: veja dúvidas sobre máscara e idade, distanciamento nas aulas e uso de brinquedos do parquinho VÍDEOS: Saiba tudo sobre Educação

Perspectivas de aumento nas mensalidades. Foto Reprodução

Após dois anos marcados por perdas causadas pela pandemia do novo coronavírus, 90,9% das escolas particulares planejam reajustar a mensalidade dos alunos no próximo ano letivo.

Dados apresentados por um estudo da Meira Fernandes mostram que a variação de reajustes pode superar os 12%, alta avaliada por 9,1% das instituições privadas de ensino.

Para mais da metade das escolas (53%), o aumento da mensalidade estudado deve ficar entre 7% e 10%. Altas entre 5% e 7% são planejadas por 16,7% das instituições e um incremento entre 10% e 11% é visto como adequado para 7,6% dos colégios.

Entre as escolas que desejam aumentar o valor da mensalidade, 6,1% ainda não definiram qual é o reajuste adequado. Há ainda 1,5% de instituições que estimam aumento entre 1% e 3% e outros 6,1% esperam elevar os boletos em um percentual entre 3% e 5%.

“Temos conversado muito com os mantenedores e o mercado e percebemos que os reajustes que estão sendo considerados são muito mais em caráter de reposição da inflação atual e também uma maneira de repor todos os investimentos que foram gastos ao longo de 2020 e 2021″, afirma Mabely Meira Fernandes, diretora do instituto responsável pela pesquisa.

Ela cita que os aumentos estão relacionados com as perdas causadas pela adoção de novas tecnologias para suprir a demanda do ensino a distância e, posteriormente, pelo ensino híbrido, que passou a ser uma obrigatoriedade.

Rematrícula

O estudo mostra ainda que nenhuma das instituições de ensino pesquisadas já atingiu 100% da meta de rematrículas pretendida para o ano que vem. Entre elas, quase dois terços (65,2%) têm o saldo de confirmados para 2022 na faixa entre 50% e 80% do planejado.

Ao serem questionadas sobre as expectativas para o contingente de alunos para 2022, 34,8% das instituições privadas de ensino disseram esperar pela recuperação de 50% ou mais da capacidade das salas de aula no próximo ano.

Mabely destaca que a previsão dos donos de escolas leva em conta que os pais e responsáveis estão esperando a primeira parcela do 13º salário ser paga para renovar o compromisso com as instituições de ensino.

“Percebemos que os mantenedores também estão sempre abertos ao diálogo e a uma negociação positiva para evitar a evasão da matrícula. Por outro lado, temos os pais que também estão buscando um equilíbrio justo nos índices e querem evitar o choque de uma mudança não planejada de escola para seus filhos e o desgaste social e emocional que ela causa”, avalia a diretora.

Para Reinaldo Domingos, presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), os pais não podem ter medo de conversar com o setor financeiro da escola e pedir descontos. “Quanto mais cedo for essa conversa, maior será a chance de ter sucesso na negociação. Um bom argumento para conseguir descontos é verificar a possibilidade de adiantar o pagamento de mensalidades na hora da matrícula, assim a escola terá um sinal de segurança de que os valores serão pagos o ano todo”, orienta ele.

Fonte| R7.com

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